sexta-feira, 31 de maio de 2013


Numa mais destas noites de histórias para adormecer, a história grande é "o meu primeiro Miguel Torga"
Um livro delicioso, cheio de surpresas.

A cada poema antecede uma explicação em torno da realidade do poeta e dos seus pensamentos, sentimentos e valores.

Na série do dia em causa estavam três ou quatro poemas. O Brinquedo foi tema de conversa tardia, porque o sono e a disciplina, o acordar resmungão não podem ser razões para se deixar perder investir tempo num poema como este. Linear e mágico, da liberdade  materializada no corte da estrela de papel que pela magia do poema e do sonho se supera, tal como se superou pela ação libertadora, contrariando a possessão, o seu ator.


O brinquedo


Foi um sonho que tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ía subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel,
E o menino ao vê- la assim, sorriu
E cortou- lhe o cordel.

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