quarta-feira, 25 de junho de 2014

O futuro pertence às crianças. Hoje, já!

Chegamos tarde a casa, são já horas de jantar, o cansaço pesa-nos e não há energia para, além das tarefas obrigatórias ir cozinhar um jantar, mesmo que improvisado.
Num gesto de renúncia às tarefas domésticas apelei ao consenso do lar:

- Filhos, já é tarde, estamos cansados e temos restos no frigorífico. Importam-se de jantar o mesmo que ontem?

A mais velha acede, sem ter mesmo ouvido o que tinha sido perguntado. Mas o mais novo, também vitima do cansaço, liga o modo de birra reivindicativa:

- Eu não quero comer o jantar de ontem!!!

A coisa não vai bem, mas confiante na minha diplomacia apelo à cooperação e peço sugestões construtivas, esperançado que a alternativa apresentada seja simples e rápida…

- E então o que queres comer?

A resposta veio pronta e assertiva:

- O jantar de amanhã!


A lógica linear do miúdo - se o jantar e hoje é igual ao de ontem, quuero o de amanhã que é diferente - aliada à firmeza da posição, anulou qualquer possibilidade de resposta da minha parte. Derrotado, aceitei, esgotado, que o futuro pertence às novas gerações, capazes que são de exigir que o futuro seja hoje, agora, fazendo-nos pensar que no nosso tempo, quando tínhamos a idade deles, já éramos uns conservadores alinhados com o sistema e que se andámos a comer sopas e legumes, contrariados, apenas à nossa falta de visão e capacidade reivindicativa o devemos. 

Jantámos os restos, mas com redobrada confiança no futuro e um pouco menos de cansaço.

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