A morte nunca é um assunto fácil de abordar com os miúdos. A nossa
racionalidade e o nosso coração não são suficientes para explicar as razões e
as emoções que estão envoltas num novelo escuro que faz doer, e as explicações
acabam por ser dadas pelo decurso da vida, e da morte. É inevitável. E não
parece existir forma de nos preparar para lidar com a morte, não há duas mortes
iguais porque não duas pessoas iguais.
Perante a morte de um amigo próximo, além
da dor existem os rituais que a nossa sociedade impõe e dos quais nós, lá em
casa, optamos por ir reservando as crianças. Este domingo houve um desses
momentos, um funeral a que a mãe iria, ficando eu em casa com as crianças.
O mais novo, que já na véspera se apercebera
de movimentações pouco usuais na rotina doméstica, e provavelmente de conversas
pretensamente discretas em torno do assunto, que ele na sua sabedoria de 4 anos
não questionou nem se intrometeu. Mas a questão ficou lá a remoer e quis saber
mais.
Vendo a mãe a preparar-se para sair sozinha a um domingo de manhã, algo inusual, perguntou o que já sabia, validando
as suas suposições e aproveitando para testar um adulto em áreas em que sabe
serem frágeis.
Mãe, onde vais?
A um sítio só para adultos.
E quando eu for adulto também posso ir?
Podes, quando fores adulto podes.
Ah.... Mas acho que não vou querer, porque esse
sitio é só para adultos tristes.
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