terça-feira, 30 de setembro de 2014
Da sabedoria do mundo
O serão tinha começado tarde devido à sobrecarregada agenda familiar. O cansaço já se fazia sentir, com o mais novo adormecido no sofá e a mais velha sem energia para mais do que as conversas que começam por um "e se....", seguido de um "e depois", numa escalada de improbabilidades exageradas e descabias com que tantas vezes os miúdos constroem universos paralelos, regidos pelo disparate e o ridículo, que desafia as leis da física e da razão adulta.
A conversa chegou a um ponto em que, para resumir, muitas pessoas faziam muitos disparates, sem sentido.
Eu, vencido, deitei um
- "Oh filha, mas isso já era um disparate muito grande...."
Ela olhou para mim com um ar sério, de quem detém, evidentemente, toda a razão do mundo e devolve-me a frase que arrumou a conversa e os meus argumentos:
- "Sim pai, mas temos de pensar nos parvos deste mundo."
Não disse mais nada, mas fiquei a pensar que a verdade é demasiado cruel quando num serão tardio nos atiram com ela à cara, assim mesmo, a seco.
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