O mistério instalou-se entre a
dúvida e a crença. O destino dos dentes que depois de um longo período a gingar
na gengiva é o centro de uma dissonância entre a razão e a fé, em que o sentido
prático, recompensado por umas moedas, uma carta ou um qualquer brinde, faz com
que prevaleça a fantasia. Uma fantasia que é reforçada por um materialismo
concreto.
A tensão entre estes dois mundos,
em que a observação e o pragmatismo validam a fantasia sobrenatural dá lugar à
dúvida e esta às mais incríveis explicações, que originaram um debate entre os
dois mais pequenos lá de casa.
Se é aceite que a fada dos dentes
vem, durante a noite, buscar o dente que caiu e em seu lugar deixa alguma espécie
de lembrança, o mistério entorna as razões para tão bizarro comportamento. Para
que quererá a fada tais dentes?
O debate não foi longo mas permitiu alcançar uma conclusão
unanime entre os dois. As fadas dos dentes precisam dos ditos para os entregar
às bruxas, seres que como se sabe sobejamente adoram esse tipo de itens sórdidos,
pois as bruxas trabalham para as fadas e estas pagam-lhes em dentes, com que as bruxas fazem as mais horripilantes sopas, base da sua alimentação.
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